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Cristiana Guerra

Calhou que para mim não veio coisa fácil. Desde sempre foi assim. Uma sensação de estar só, um sentimento de não ser. Até entender que eu estava mesmo era em minha boa companhia. Mas ela se ausenta, vez por outra. E assim se seguiu a vida: a me mostrar que eu não iria pela boa e velha estrada. Eu pegaria os atalhos. Às vezes me pego querendo ser como, querendo ser que nem. Mas quando chego perto, descubro um todo mundo tão igual. No desejo de ser e não ser, de ir e não ir, na vontade de ser livre. No não saber o que é ser livre. Não saber o que é – um não saber. Tem hora que eu penso ter medo do que não sei. Depois eu me lembro: o que me dá medo mesmo é ter certeza. Que a minha sede é de vida e eu nasci agora há pouco. Em seu blog dedicado ao seu filho, Francisco .

Zeca Baleiro - Meu amor, minha flor, minha menina

Meu amor minha flor minha menina Solidão não cura com aspirina Tanto que eu queria o teu amor Minha cara, minha Carolina A saudade ainda vai bater no teto Até um canalha precisa de afeto Dor não cura com penicilina Meu amor minha flor minha menina Tanto que eu queria o teu amor Tanto amor em mim como um quebranto Tanto amor em mim, em ti nem tanto

Ana Cristina Cesar

Tarde da noite recoloco a casa toda em seu lugar. Guardo os papéis todos que sobraram. Confirmo para mim a solidez dos cadeados. Nunca mais te disse uma palavra. Do alto da serra de Petrópolis, com um chapéu de ponta e um regador, Elizabeth reconfirmava: " Perder é mais fácil que se pensa ". Rasgo os papéis todos que sobraram.